Às vezes, pegar o caminho mais complicado acaba sendo o mais recompensador. Este é o caso da americana Beverly Goebel, que no ano passado encerrou uma passagem de dois anos pelo futebol japonês e, como uma das poucas estrangeiras da competição, se sentiu bastante gratificada.
Hoje Goebel defende o Seattle Reign, que tentará chegar ao título do Campeonato Americano neste domingo, quando receberá o Kansas City na decisão da segunda edição do torneio. A atacante, nascida no sul da Califórnia, vem se dando bem no retorno ao país natal após a aventura japonesa, já que ajudou sua equipa a terminar a primeira fase da competição na primeira colocação, com apenas duas derrotas.
Ao que parece, Goebel está se sentindo em casa em Seattle: foi a única jogadora em um elenco cheio de craques a participar de todas as 25 partidas da equipe nesta temporada. É um feito e tanto, considerando que o ataque do Reign conta com estrelas como as estrangeiras Kim Little e Nahomi Kawasumi e a americana Sydney Leroux, ícone de sua geração no país.
“O clube trouxe jogadoras com personalidades ótimas. A equipa se entrosou muito bem e isso nos ajudou para valer a ter um bom desempenho. Não consigo expressar tudo que é bom no clube, que conseguiu criar um clima tão positivo. Vem sendo uma experiência maravilhosa até agora e eu estou realmente grata de fazer parte dela”, diz Goebel, quando o FIFA.com pergunta as razões para o sucesso do Seattle.
Crescer como jogadora
A jogadora de 26 anos voltou aos Estados Unidos depois de uma boa experiência em solo japonês. A passagem foi coroada no ano passado, quando seu clube, o INAC Kobe Leonessa, conquistou todos os quatro troféus em disputa. Goebel teve um papel importante nessa campanha ao se tornar a primeira estrangeira a ser goleadora do Campeonato Japonês desde a década de 90. Nada mau para uma atleta que tinha sido transformada em atacante pouco menos de 12 meses antes.
Uma excursão pelo Japão com o Sky Blue, equipa que defendia em 2011, foi o detonante de uma profunda mudança em sua vida. Ela foi contratada pelo Leonessa e se juntou a tantas outras jogadoras que foram buscar trabalho longe dos EUA após a quebra da WPS (sigla em inglês para Liga Feminina de Futebol Profissional), a versão anterior do Campeonato Americano. Porém, ao contrário de muitas compatriotas, decidiu continuar no exterior quando a nova competição, a NWSL (Liga Nacional Feminina de Futebol), começou no ano passado.
No Japão, em campo Goebel trocou com sucesso a meia pelo setor ofensivo. Fora dele, também viveu uma transformação pessoal. “Voltei sendo uma pessoa melhor. Consegui me encontrar como jogadora. Com a dificuldade do idioma, eu tinha que encontrar minhas próprias soluções, o que me ajudou a crescer como jogadora”, afirma.
Muitos torcedores e torcedoras em todo o planeta se maravilharam de longe com o estilo de jogo das japonesas, cujo ponto alto foi a conquista da Copa do Mundo Feminina da FIFA 2011™. Goebel, porém, teve o privilégio de viver a cultura do futebol do país bem de perto, e dizer que ela gostou do que viu seria minimizar o que de fato aconteceu. “A ética profissional delas não existe. Fiquei muito impressionada com o jeito como elas tocam na bola, com a movimentação quando não têm a posse, com a leitura tática que fazem do jogo e com a habilidade delas”, conta.
Uma americana no Japão
Depois de uma boa temporada de estreia, Goebel rechaçou a opção de voltar para casa para disputar a primeira edição do novo Campeonato Americano em 2013. “(Jogar no Japão) era muito diferente, como se fosse um desporto novo para mim. Depois do primeiro ano, eu sentia que aquilo ainda não tinha acabado. Sempre fui alguém que gosta de estudar o jogo, mas aquilo era diferente, eu fiquei fascinada. Era um desafio, mas eu gostava. Tenho muito respeito pelo estilo de jogar futebol e pela cultura japonesa”, garante.
“Foi muito difícil no começo pela falta de pessoas que falassem inglês. Foi uma daquelas coisas em que, se você entra pensando positivo e mostrando vontade, acaba saindo com uma grande experiência”, explica a americana, que não falava japonês ao chegar ao novo país. “Acho que é importante sair daquilo que conheço e aprender sobre mim mesma, não só como atleta, mas como pessoa. Eu aprendi coisas com a cultura japonesa que espero um dia ensinar para meus filhos. O Japão com certeza tem um lugar especial em meu coração e sempre terá”.
O futebol é há muito tempo algo significativo na vida de Goebel. Seu marido, Othaniel Yánez, namorado da atleta desde a adolescência, é alguém que se dedica totalmente à modalidade e chegou a defender o Columbus Crew nos EUA. “Muitos dos nossos encontros eram jogando bola”, conta a atleta, com um sorriso no rosto. “O futebol é uma parte muito importante de nosso relacionamento. Ter comigo alguém que entende do desporto foi ótimo, porque isso significa que ele me deu muito apoio”.
Fonte : FIFA

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