Depois de várias tentativas, ainda não é desta que Helena Costa está entre os 28 candidatos selecionados para o Curso de Treinadores de Futebol "UEFA PRO", que decorre entre 20 de maio e 21 de junho em Quiaios (Figueira da Foz). Os critérios de seleção continuam a discriminar o(a)s treinadores que optam por treinar equipas femininas.
Isto só tem um adjetivo possível: vergonha. A Federação Portuguesa de Futebol devia ter vergonha. E mais vergonha ainda é porque já é uma discriminação contra as mulheres que se repete pela terceira vez.
Em 2009, tanto Helena Costa como Alfredina Silva foram impedidas de entrar no curso de treinadores de IV nível (UEFA PRO), apesar de cumprirem os respetivos critérios e venceram uma queixa contra a FPF na Comissão para a Igualdade, que decidiu que a federação tinha, de facto, discriminado as treinadoras.
Em 2011, a situação voltou a repetir-se, desta feita apenas com Helena Costa, na altura já selecionadora feminina do Qatar. Vários candidatos passaram à frente sem cumprir critérios (Fernando Couto?) e mulheres são novamente tratadas como lixo.
Agora, em 2013, a FPF seleciona 28 candidatos (mais 4 vagas "especiais" para treinadores ligados à FPF) e nenhum deles é, novamente, Helena Costa. Eu pergunto em que país é que treinadores de iniciados de clubes regionais, que entraram de facto no curso, têm mais importância do que uma selecionadora feminina do Irão, que se equivale a Portugal no ranking mundial feminino, por exemplo.
Há uma discriminação clara nos critérios de acesso, que dizem que são iguais para todos mas não são. A FPF acha que é assim que se promove o futebol feminino, por exemplo? Mas então eu se treinar futebol feminino não posso ter cursos de topo, se quiser? Só posso saber o "básico" e ficar contente? E note-se que isto não é nenhum favorzinho que estou a pedir, porque cada candidato paga 4 mil euros para entrar no respetivo curso. Muitas vezes ouve dizer-se que a Mónica Jorge é a única mulher a ter curso de nível IV em Portugal. Pois é... se a FPF não deixa entrar mais nenhuma, como é que poderia haver mais? É que a Mónica Jorge entrou na altura como uma das candidatas da FPF e não como uma candidata normal, de modo que não teve preocupações deste género, sequer.
Mais do que uma discriminação nos critérios de acesso, também creio que isto é uma discriminação clara contra a Helena Costa, por razões que quem terá dois dedos de testa compreenderá. E só eu sei o que Amândio de Carvalho me respondeu, quando o contatei na altura em que Helena fez queixa contra a FPF. Aliás, o nível de pensamento do então vice-presidente da FPF ficou bem patente na justificação que deu para as internacionalizações pela seleção feminina não serem contabilizadas para o acesso ao curso, ao contrário das internacionalizações nas seleções masculinas. "Na verdade a requerente não preenche o critério previsto no ponto 2.2 que a mesma alega preencher. Com efeito, a Selecção Nacional AA é indubitavelmente a selecção sénior masculina."
Qualquer dia teremos alguém a dizer que, com efeito, os treinadores têm de ser indubitavelmente do sexo masculino. Até quando?
Fonte: Aminhabola

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