Elas batem um bolão

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Presença feminina é cada vez maior nos estádios e torcedoras não se limitam a acompanhar maridos ou namorados: palpitam nas escalações, cornetam técnicos e xingam os jogadores.


Elas estão com a bola toda. Quando o assunto é o futebol, as mulheres conseguiram igualar ou mesmo superar os marmanjos e dão o tom da conversa. Elas tiveram de superar barreiras e vencer o preconceito para ganhar espaço também nas arquibancadas dos campos de futebol. Além de embelezar os estádios, o público feminino fornece uma energia contagiante ao demonstrar sua paixão e empurrar o time do coração rumo às vitórias. Em Belo Horizonte, desde a reinauguração do Independência, as mulheres têm marcado presença nos jogos de Atlético e Cruzeiro.

Engana-se quem pensa que elas são torcedoras passivas. Pelo contrário, mostram-se exigentes, cobram quando dá errado e xingam abertamente os jogadores, soltando palavrões. “O crescimento do número de mulheres no estádios mostra a valorização do esporte. A concepção de que mulheres não podiam assistir a futebol acabou. Hoje as famílias vão juntas para o estádio e estão sempre alegres. Antigamente falavam que nós não entendíamos de futebol, mas hoje sabemos mais do que os homens”, brinca a vendedora Luísa Jacques, de 23 anos, que investe parte do seu salário na mensalidade do programa de fidelidade do Atético, Galo na Veia.

As mulheres também adoram cultivar ídolos no futebol. Se o goleiro Fábio lidera a preferência das cruzeirenses, o atacante Bernard é ovacionado pelas atleticanas, principalmente por ser o mais novo do grupo e formado nas categorias de base do alvinegro. A estudante Fernanda Alcântara, de 18, reforça a tese. “Ele é simples, não deixa de dar autógrafos e fazer fotos e ainda é bom de bola. Quer coisa melhor?”, brinca.

A advogada Lísia Caldeira, de 31, tem como hobby principal assistir aos jogos do Galo enquanto o marido trabalha em São Paulo. Ela costuma ir sozinha ao estádio e garante que é respeitada por todos. “Sempre acompanhei o Galo porque meu pai me levava no estádio desde pequena. O futebol é paixão nacional e a mulher ganhou o hábito de acompanhar tudo. Nunca tive nenhum problema com preconceito. Hoje, o respeito a nossa classe é muito grande”.

Não é só na capital que as mulheres marcam presença nos estádios. No interior também. Prova disso foram os jogos disputados no Estádio Melão, em Varginha, no fim de semana – onde o Boa bateu o Ipatinga por 2 a 1, na noite de sábado, pela Série B do Campeonato Brasileiro, e o Cruzeiro empatou por 1 a 1 com o Vasco, na tarde de domingo, pela Série A.

IDADE Como em BH, elas não se limitam a embelezar as arenas, engrossando coros de incentivo, os xingamentos aos árbitros e dando suas “cornetadas”, seja na escalação, nas alterações feitas pelo treinador ou no desempenho dos times. E não há idade para começar. As amigas Tainara Silva Reis, Monique Ellen de Souza e Amanda Assis, todas de 17 anos, estavam no Melão vestidas com a camisa celeste. Mesmo quando o resultado não é o desejado, como diante do Vasco, elas consideram a ida ao estádio um excelente programa. “É muito bom acompanhar os jogos de perto, principalmente do time do coração. Aqui todo mundo se diverte igual, não há problema de violência”, diz Monique.

Já a estudante de direito Nadine Porto Mendes Machado, de 24 anos, costuma acompanhar o Cruzeiro pela TV e no domingo não perdeu a chance de ver seu time de perto. Também uniformizada, encarou a tarde quente para apoiá-lo diante da equipe cruz-maltina. “Sempre gostei de futebol e aqui é bem tranquilo de ver os jogos”.

Percebendo o interesse das mulheres, os clubes se mexeram e praticamente todos têm linhas femininas de seus uniformes. Sem contar outros produtos também voltados para elas, de cadernos a adornos para o cabelo.

Fonte:superesportes

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