É estranho observar a lista de seleções que o jogarão o Torneio Olímpico de Futebol Feminino Londres 2012 e não encontrar a Nigéria. O país foi o único representante da África nas três últimas edições da competição — a primeira, em 1996, não contou com nenhuma nação do continente. Além disso, as nigerianas estiveram presentes em todas as seis edições da Copa do Mundo Feminina da FIFA.
Mas então a que se deve esta ausência tão significativa? A resposta está em uma potência emergente: a seleção de Camarões, que cruzou o caminho das "falconetes" nigerianas no pré-olímpico e estreará na sua primeira competição mundial no dia 25 de julho, em Cardiff, contra o Brasil.
"Os nossos pontos fortes são a juventude e o espírito de equipe", explica o técnico camaronês Enow Ngachu em entrevista exclusiva ao FIFA.com. "É um orgulho ser o treinador deste grupo e ter a chance de estrear em nível internacional, fora da África."
A empreitada, porém, não será nada fácil. O primeiro jogo já será um complicadíssimo confronto com a Seleção Brasileira, e as outras partidas também estão longe de ser um mar de rosas: Camarõesenfrenta ainda a anfitriã Grã-Bretanha e a Nova Zelândia. "O nosso objetivo é ganhar experiência e ter a oportunidade de crescer com cada um dos jogos", comenta Ngachu. "No futuro, porém, podemos protagonizar algumas surpresas."
Surpresa as camaronesas já causaram ao se recuperarem da derrota sofrida por 2 a 1 diante da Nigéria na primeira partida da fase final do pré-olímpico. No jogo de volta, na capital Iaundé, as "leoas indomáveis” aproveitaram o fator local, devolveram o resultado sobre as nigerianas e demonstraram mais sangue frio na decisão por pênaltis.
"Conseguir aquela classificação histórica fez com que aumentasse o número de meninas que jogam futebol no país", revela Ngachu, que antes de iniciar a carreira como técnico de futebol foi jogador e professor de Educação Física. "Por sorte, já contamos com escolinhas de futebol exclusivamente para garotas."
"A experiência olímpica nos ajudará a obter apoio para o nosso campeonato nacional, que tem atualmente dez equipes participantes", prossegue o treinador, consciente de que, em Camarões, o futebol ainda é um esporte predominantemente masculino. "Creio que conseguiremos atrair mais meninas e acabar com o tabu cultural que existe. Os pais, ainda hoje, não aprovam que elas pratiquem o esporte."
Aos poucos, as coisas evoluem. Da mesma maneira que conseguiram mudar a bandeira do representante africano no torneio olímpico feminino (a África do Sul, vale lembrar, também jogará o torneio), as meninas de Ngachu seguem lutando para difundir o esporte em Camarões. Agora, no entanto, a tarefa é trabalhar duro para chegar bem à Grã-Bretanha.
"Iniciaremos a preparação no dia 19 de junho, em Iaundé, e nos primeiros dias de julho viajaremos à Escócia, onde vamos disputar três amistosos antes do começo dos Jogos Olímpicos", relata o técnico, que espera contar com todo o apoio necessário para levar a cabo uma preparação rigorosa e eficaz. "Sou otimista e creio na minha equipe", conclui, detalhando dois ingredientes fundamentais para a receita de esperança das camaronesas.
Fonte: FIFA

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