"Sou um pequeno mascate de sonhos que faz o melhor para treinar e inspirar as pessoas", descreve-se o treinador Bruno Bini, cuja seleção feminina francesa subiu um importante degrau no futebol internacional ao terminar em quarto lugar a última Copa do Mundo Feminina da FIFA.
O surpreendente desempenho na Alemanha 2011, logo na segunda participação das gaulesas no Mundial, gerou grande interesse no futebol feminino em todo o país. "Depois da Copa do Mundo, quase tudo mudou", afirma Bini ao FIFA.com. "A França se apaixonou pela nossa seleção e vestiu a camisa por duas razões: pelas nossas atuações e pelos valores demonstrados."
Bini assumiu o comando da França em 2007. Desde então, a seleção não apenas foi semifinalista da Copa do Mundo Feminina da FIFA, como fez a sua melhor campanha em uma Eurocopa (chegou às quartas de final em 2009) e ainda conquistou em 2012 a Cyprus Cup, mundialito anual disputado no Chipre. Em julho, será a vez de as francesas fazerem a sua estreia olímpica.
Carisma e criatividade
"Toda noite escrevo um texto que deixo à mostra na concentração para que todo mundo possa ler", conta Bini. "Há uma página que tem sempre a mesma mensagem, apenas com a data diferente: hoje será outro belo dia. Esta é a minha filosofia e esta é a filosofia que quero transmitir à seleção francesa. Este é um belo dia. Sempre."
É o otimismo do carismático Bini que as francesas esperam transformar em resultados no Torneio Olímpico de Futebol Feminino, que será disputado de 25 de julho a 9 de agosto. "Estrearemos contra a melhor seleção, a dos Estados Unidos, última campeã olímpica", comenta o treinador. "Vai ser muito disputado e, como sempre, vai ser decidido no gramado."
O destaque dado às francesas após o bom desempenho na Copa do Mundo da FIFA também trouxe grandes expectativas para a Olimpíada. "Houve um momento após a Copa do Mundo quando, por causa de toda a atenção que recebemos, precisei falar com as jogadoras", diz Bini. "A consagração e a atenção podem inchar o ego, e precisei fazer o grupo entender que tínhamos de continuar unidos. É muito mais fácil lidar com os problemas como uma equipe."
Viver juntos
O estilo filosófico pelo qual o técnico francês se notabilizou é considerado por muitos simplesmente uma excentricidade. Mas a filosofia não é simplesmente reservada para entrevistas coletivas.
"Quando eu assumi em 2007, peguei a chave da sala de reuniões e a dei para a líder da equipe", relata. "Eu disse que queria em dez dias uma proposta de como nós poderíamos viver juntos. Elas mandaram a proposta por escrito, e não fiquei surpreso. As regras delas eram três vezes mais rigorosas do que as que eu teria definido. No entanto, como foram elas que decidiram, não há problema."
Anunciar a escalação com fotos de infância de cada jogadora e animar a concentração com músicas ao violão são apenas algumas táticas criativas da iniciativa que o próprio Bini intitulou "Viver juntos". "Saber viver juntos, saber jogar juntos, este é o projeto da coordenação da seleção francesa", ressalta.
Por outro lado, as escolhas de Bini não estão imunes a críticas. A convocação para a Alemanha 2011, por exemplo, não foi muito bem recebida. "Quando fiz a convocação, escolhi 21 jogadoras para o torneio", relembra. "Só me fiz uma pergunta: o que é melhor para o grupo? Fiquei muito angustiado, mas a vida me ensinou que o que é melhor para mim nem sempre é o melhor para o grupo. No entanto, o que é melhor para o grupo é sempre o melhor para mim."
Grupo difícil na Olimpíada
Logo na primeira participação em Olimpíadas, as francesas caíram no grupo dos Estados Unidos, que levaram o ouro em três dos quatro últimos torneios, além de Colômbia e Coreia do Norte. "Como de costume, não há sorteio bom ou ruim, é assim mesmo", enfatiza Bini. "Precisaremos estar em forma na estreia contra os EUA. Jogaremos três partidas em alto nível em belos estádios."
A França tem contas a acertar com os Estados Unidos, pois foram as americanas da técnica Pia Sundhage que derrotaram as gaulesas nas semifinais da Copa do Mundo Feminina da FIFA do ano passado. Mas Bini não gosta de ficar remoendo derrotas. "É importante que as minhas jogadoras saibam que o treinador permite que elas cometam erros", afirma. "O importante não é não cometer o erro, mas aprender com ele."
O técnico francês está mais preocupado com a perseverança do que com os resultados. "Não desista", filosofa. "Não deixe cair nada. Se você for expulso pela porta, volte pela janela. Da próxima vez, a porta vai se abrir."
Fonte : FIFA

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