Ares de renovação na América do Sul

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No futebol feminino sul-americano sopram ventos de renovação. É bem verdade que a hegemonia do Brasil não parece em perigo, ao menos em curto prazo. Mas também é certo que, nos últimos anos, houve alguns resultados que nos fazem pensar, como o quarto lugar da Colômbia na Copa do Mundo Feminina Sub-20 da FIFA na Alemanha 2010 ou as primeiras participações de seleções como Venezuela, Chile e Uruguai em Mundiais de base.
Por isso, o FIFA.com conversou com exclusividade com três protagonistas da modalidade na região, que contextualizaram tanto o momento atual de suas respectivas seleções quanto o presente e o futuro da América do Sul.
Diferenças diminuemDe 2010 até agora, o Brasil venceu todos os Campeonatos Sul-Americanos Femininos. Até aí, nada de novo. Mas é abaixo da Seleção onde aconteceram os movimentos mais significativos. E, apesar de haver diferenças entre suas distintas categorias, a Colômbia é quem teve as melhores atuações. Além daquela quarta colocação no Sub-20, o país disputou a Copa do Mundo da FIFA 2011 e se classificou para jogar neste ano tanto o Torneio Olímpico de Futebol quanto o próximo Mundial Sub-17.
"O Brasil continua acima dos restantes, não há dúvida quanto a isto", reconheceu Ricardo Rozo, técnico de todas as seleções femininas colombianas. "Depois, com toda a humildade, acredito que vimos nós. E a distância em relação às brasileiras não é tão grande quanto antes. Há pouco, rompemos aquele paradigma de que o futebol feminino do Brasil é inatingível. É o que mostram os resultados, independentemente de que as brasileiras sigam se impondo." Mas qual é o segredo da evolução da Colômbia? "Manter um projeto de longo prazo", resumiu o treinador.
O hipotético segundo lugar na região costumava ser ocupado pela Argentina, como reconheceu a experiente zagueira alviceleste Eva González. "É verdade, mas a Colômbia já vinha exibindo um futebol interessante e agora se firmou, se aproximando até mesmo das brasileiras, que talvez não estejam crescendo no ritmo em que poderiam. Para nós, está sendo muito difícil, atravessamos um período de estagnação", avaliou a defensora de 25 anos. Afinal, a seleção principal de seu país não vai a uma competição da FIFA Pequim 2008.
González, no entanto, não se deixa tomar pelos aspectos negativos. "Em linhas gerais, sinto que o futebol feminino está melhorando na América do Sul. Há alguns anos, encarávamos os jogos contra chilenas e uruguaias sabendo que íamos vencê-las, mas isso acabou. Não é que agora joguem de igual para igual – elas vêm e ganham de você. Nisso, nota-se que existe um planejamento sustentado", elogiou a argentina.
Sucesso na baseApesar de Chile e Uruguai nunca terem disputado uma Copa do Mundo da FIFA para seleções principais, ambos conquistaram bons resultados no Sub-17. Enquanto o primeiro fez companhia à Venezuela em Trinidad e Tobago 2010, o segundo representará a região no Azerbaijão 2012, depois de se sagrar vice-campeão sul-americano. Foi um resultado que surpreendeu tanto Rozo quanto González.
"É compreensível, já que havíamos ganhado apenas um jogo em nossas participações anteriores", reconheceu a técnica do Uruguai, Graciela Rebollo. "Isso não me surpreendeu tanto quanto a goleada de 7 a 2 no Equador logo na estreia. Resultados assim acontecem cada vez menos na América do Sul. As equipes estão mais parelhas. Já não é como antes, quando um time acabava goleado em todos os jogos. Nem o Brasil ganha mais todos seus compromissos por resultados absurdos."
Para a treinadora de 43 anos, que está à frente da Sub-17 desde julho de 2011, foram dois os segredos desse sucesso. "Por um lado, foi muito importante formar uma comissão técnica homogênea, que trabalhou minuciosamente durante oito meses. Não pedi uma quantidade determinada de profissionais, mas a Federação Uruguaia montou um grupo amplo, com um assistente, um preparador físico, um psicólogo, um fisioterapeuta e um médico. Por outro lado, foi saber aproveitar uma geração de jogadoras muito boas."
Rebollo também elogiou o trabalho que Venezuela, Equador, Paraguai e Argentina estão fazendo com suas seleções de base. Para ela, aliás, a alviceleste parece estar recuperando seu lugar como potência. Rozo concorda: "Não é por acaso que as argentinas se classificaram para o próximo Mundial Sub-20 e levaram seu Sub-17 à fase final do Sul-Americano", comentou.
Os três também estão de acordo que o futebol feminino da América do Sul ainda está longe daquele praticado na Europa, na América do Norte e na Ásia. "Talvez aumentando o número de vagas nos Mundiais, como aconteceu com o Sub-17, poderíamos ter uma maior noção do potencial da região. Mas, enquanto isto não acontece, me parece realmente complicado", admitiu Rozo. Ainda sobre isto, Rebollo ressaltou a importância de contar com três vagas – e não duas – no Azerbaijão. "Serve como estímulo aos projetos." Já González elogiou a organização da Copa Libertadores. "Estes enfrentamentos são muito úteis para vermos em que nível estamos e em que situação estão as demais", explicou.
Para encerrar, os três voltaram a concordar em linhas gerais que as barreiras culturais caíram e que, assim, há cada vez mais mulheres praticando o esporte e jogando melhor. Para eles, falta apenas apostar pelas categorias de base, melhorar a infraestrutura, competir e criar planos de longo prazo.

Fonte FiFa

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